O Instituto
que somos
A memória não como prisão do passado, mas como aposta em futuros melhores.
O nome do Instituto Memórias e Futuros vem de dois poetas: Yehuda Amichai, israelense nascido em Berlim, e Mahmud Darwish, palestino de Haifa. Não sabemos se os dois se leram ou dialogaram entre si, mas, impressiona como, escrevendo em línguas diferentes, a partir de lugares diferentes, ambos trataram a memória do mesmo modo: não como prisão do passado, mas como uma espécie de esperança, capaz de apostar em futuros melhores, apesar da dor que os antecederam. Dessa inspiração poética nasce o nome do Instituto.
Nascemos do trabalho do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da UFRJ (NIEJ), que ao longo da última década desenvolveu um instrumental teórico para o estudo da ascensão das extremas-direitas, tomando como referência dois processos históricos: o nazifascismo clássico das décadas de 1920 e 1930 e a radicalização da extrema-direita israelense desde os anos 1990. Desse estudo comparado chegamos a uma hipótese: quem adere ao fascismo não apenas escolhe uma ideologia, mas é letrado em uma nova linguagem política, na qual palavras e símbolos mudam de sentido e o mundo se simplifica e se fragmenta entre bem e mal. Entender essa gramática - seus elementos e sua estrutura - é condição para combatê-la.
É a partir dessa hipótese que atuamos. Somos uma organização acadêmica e apartidária - mas não apolítica - dedicada à defesa da democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos, e ao enfrentamento do neofascismo, do autoritarismo, da violência de Estado e das diferentes formas de discriminação que sustentam a extrema-direita contemporânea. Fazemos isso por três caminhos que se complementam: produzimos pesquisa acadêmica, dialogamos com partidos, movimentos sociais e imprensa, e formamos o público em geral, por meio de cursos, palestras, cartilhas e conteúdos audiovisuais.
Para nós, o enfrentamento dos extremismos políticos não se esgota na disputa eleitoral. Ele exige compreender e disputar também os sentidos, as linguagens e as culturas que sustentam sua expansão, contribuindo assim para o fortalecimento da democracia brasileira e para a construção de horizontes democráticos e humanistas.
equipe
pesquisadores
Professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS - UFRJ); pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHIS - UFRJ); e do programa Profhistória. Parte da comissão de internacionalização do PPGHIS - UFRJ; professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRJ. Graduado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997), mestre em Sociologia e Antropologia pela Hebrew University of Jerusalem (2007) e doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2014). Coordenador do Observatório das Crises das Democracias das Américas (Brasil/UFRJ - Argentina/UNLP). Vinculado ao Vital Sasson Center for Anti Semitism Studies na Hebrew University of Jerusalem, pesquisador credenciado do Observatório da Extrema Direita (OED), coordenador executivo e coordenador de pesquisa do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ - UFRJ), e palestrante na Casa do Saber. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: judaísmo, holocausto, genocídios, oriente médio, conflitos Israel-Palestina, extrema-direita, sionismo e sociedade israelense. Autor dos livros “Diálogos em tempos difíceis” (2026), “O não Judeu Judeu: a tentativa de colonização do judaísmo pelo Bolsonarismo” (2022) e “O início do sionismo no Brasil: ambiguidades da história” (2018).
Professora associada de Ciência Política na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisadora e professora adjunta de Ciência Política na NYU Abu Dhabi. Doutora pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), estuda direitos humanos, justiça de transição e os modos como as sociedades disputam a memória de regimes autoritários, com foco recente em comissões da verdade e leis de anistia no Sul Global. Sua pesquisa já a levou a campo na África do Sul, no Timor-Leste, na Argentina, na Irlanda do Norte e no Brasil.
Professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Doutor em Ciência Política pelo IESP-UERJ, com doutorado-sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), é bolsista de produtividade do CNPq e coordena o projeto de pesquisa Anatomia das Direitas Brasileiras e o Núcleo de Estudos sobre a Democracia Brasileira (NUDEB-IFCS). Estuda pensamento político-social brasileiro, teoria política e a radicalização das direitas no Brasil contemporâneo.
Professora de Psicologia Educacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Faculdade de Educação. Credenciada ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFRJ). Doutora em Psicologia (PPGP/UFRJ). Mestre em Psicologia (PPGP/UFRJ). Especialista em Educação Transformadora (PPG-PUCRS), Psicóloga (UFRJ), Pedagoga (UNIBF). Tem experiência na área de Psicologia Social, com subáreas de Psicologia Escolar e Educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: educação democrática, neoliberalismo escolar, medicalização, educação inclusiva, esquizoanálise e análise institucional.
Professor associado do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ). Doutor em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSA-UFRJ) e graduado em Ciências Sociais pela UFRJ. Pesquisador em sociologia política, sociologia econômica, sociologia do trabalho e sociologia ambiental. Integrante dos grupos de pesquisa Desenvolvimento, Trabalho e Ambiente (DTA-UFRJ) e Extremos: Política, Religião e Violência (UFRJ).
Professora do Departamento de Sociologia e dos Programas de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) e em Cultura e Territorialidades (PPCULT) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre pela UFRJ e doutora pela UERJ, com estágio de doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), dedica-se à sociologia da religião, com ênfase nas relações entre religião, política e direitos e no avanço do conservadorismo religioso na política brasileira. É autora de “Oração de Traficante: uma etnografia” (2015) e coautora de “Religião e Política: medos sociais, extremismo religioso e as eleições 2014” (2017). Edita o periódico Religião & Sociedade.
Professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dos Programas de Pós-Graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED/UFRJ) e em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGCS/UFRRJ). Coordena o Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM) e o Observatório do Conhecimento. Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ, com pós-doutorado no Instituto Universitário de Lisboa, é Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ) e vice-presidente da ADUFRJ. Pesquisa ideologia, instituições e comportamento político, com atenção à extrema-direita brasileira.
Pesquisadora do programa Cascading and Complex Extreme Conditions, vinculado ao Minerva Center da University of Haifa (Israel), em associação ao Azrieli Center for Israel Studies (MALI) no The Ben-Gurion Research Institute for the Study of Israel and Zionism, da Ben-Gurion University of the Negev (Israel), desde novembro de 2024. Pesquisadora do Comper Center for the Study of Antisemitism da University of Haifa desde setembro de 2026. Pesquisadora no Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ) e no grupo Extremos, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desde fevereiro de 2024. Professora associada do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário UNA desde agosto de 2021. Doutora em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR-UFRJ (2024), mestra em Antropologia Social pelo PPGAn-UFMG (2016), especialista em Política e Planejamento Urbano pelo IPPUR-UFRJ (2017) e graduada em Arquitetura e Urbanismo pela EA-UFMG (2011). Experiência nas áreas de Urbanismo, História Urbana, Antropologia Urbana e do Estado, e Planejamento Urbano, com ênfase nos temas: cidade e cultura; discursos, linguagens e narrativas; cidade, política e democracia; crises nas democracias, autoritarismos e fascismos; extremas-direitas no século XX e no século XXI; e Estado, grandes projetos e intervenções urbanas.
Professora de História da Rede Municipal do Rio de Janeiro. Doutoranda em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestre em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense. Desenvolve pesquisas sobre história do Tempo Presente e história do Brasil República, com ênfase no período da Nova República. Integra o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ/UFRJ) e o Extremos, nos quais desenvolve pesquisas voltadas para o ensino de temas sensíveis.
Gabriel Melo Mizrahi é graduado em Ciências Econômicas e mestre em História Social pela UFRJ. Também é doutor em Relações Internacionais pela PUC-Rio e tem pós-doutorado em História Social pela UFRJ. É coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ) da UFRJ e foi diretor-executivo do projeto “Gramática política nas eleições brasileiras”, do NIEJ, em parceria com a Open Society Foundation.
Doutora em Relações Internacionais pela PUC-Rio, com tese sobre iniciativas conjuntas de resistência não violenta entre palestinos e israelenses. É mestre em História Comparada pela UFRJ, com dissertação sobre a vida judaica no Egito antes e depois de 1948, e bacharel e licenciada em História pela UFF. Atuou por mais de dez anos em educação e coordenação de projetos pedagógicos internacionais, e tem experiência em diálogo intercultural e mediação de conflitos, com participação em diversas edições da Muslim Jewish Conference. Escreve para o The Conversation Brasil sobre iniciativas de paz entre israelenses e palestinos.
Doutoranda e mestre no Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na linha de pesquisa de História das Práticas e das Culturas Políticas. Licenciada e bacharel em História pela Universidade de Brasília (UnB). No doutorado, realiza pesquisas sobre a gramática conspiracionista como dispositivo de letramento político em rupturas democráticas no Brasil. Vinculada ao Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos, no Instituto de História da UFRJ, e ao Extremos: grupo de pesquisa em religião, política e violência.
Doutoranda e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), na linha de pesquisa de Experiências e Conexões Culturais. É licenciada e bacharel em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora de história no município de Resende. Desde 2016 está vinculada como pesquisadora ao Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos, no Instituto de História da UFRJ. Integra o Laboratório de Estudos em Ensino de História e Patrimônio Cultural da PUC-Rio. Dedica-se aos estudos judaicos, à relação entre judaísmo e neopentecostalismo, patrimônio e memória, holocausto, raça, identidade e negritude.
Doutorando em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHIS/UFRJ), mestre em História Social pelo PPGHIS/UFRJ e graduado em História pela UERJ. Integrante do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ/UFRJ), do Extremos e do GEPCEB (UFF). Desenvolve pesquisa nas áreas de História Social e Política, dialogando com os campos da Educação e da Religião ao investigar a produção de intolerâncias religiosas na sociedade brasileira e seus efeitos na Educação Básica.
Doutoranda em História pelo Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS/UFRJ). Mestra em História pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH/UFF). Pesquisadora discente do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos desde 2018, coordenado pelo Prof. Dr. Michel Gherman, e pesquisadora discente do Laboratório Extremos desde 2023, coordenado pelos profs. Dr. Michel Gherman e Profª Drª Cristina Vital. Desenvolve pesquisas sobre a objeção de consciência dentro das Forças de Defesa de Israel, conhecido como movimento Refusenik, desde 1980 até os dias atuais.
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ, onde desenvolve a pesquisa “Nothing goes and everything matters”: A Praga imaginária e a consolidação dos avessos de si na literatura de Philip Roth. É mestre em História também pelo PPGHIS/UFRJ e tem bacharelado e licenciatura pelo Instituto de História da UFRJ. É pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos/UFRJ desde 2025. Sua pesquisa tem como interesse a literatura, história literária, história contemporânea e estudos judaicos.
Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGS/UFRJ) e bacharel em Ciências Sociais pela mesma universidade. Desenvolve pesquisas nas áreas de sociologia da moral, violência, segurança pública e produção discursiva, com interesse nas formas de legitimação e justificação da violência estatal. Integra o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ/UFRJ) e o Extremos.
Matheus Trotta é formado em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Suas pesquisas são relacionadas a evangélicos, conservadorismo e conspiracionismo dentro do período dos anos 1960 até 1980 nos Estados Unidos da América.
Bacharel em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tem interesse de pesquisa tanto na área de História dos Fascismos, Guerra Civil Espanhola e Franquismo, com ênfase em cultura política, propaganda, discurso autoritário e construção simbólica de vítimas e inimigos, quanto na área de História Naval Brasileira. Durante a formação, atuou como pesquisador e estagiário/voluntário na Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), desenvolvendo pesquisas históricas de âmbito nacional. Essa experiência resultou na publicação do artigo “Novas perspectivas sobre a fuga dos prisioneiros do brigue Ana em Carmen de Patagones (1827)”, na Revista Navigator, em 2026.
Graduado (bacharel) em Ciências Sociais pela UFRJ. Pesquisa grupos extremistas católicos e seu discurso conspiracionista nas redes sociais.
Graduada em Design de Interiores pela Universidade Veiga de Almeida (UVA) e técnica em Edificações pela Escola Técnica Sandra Silva (SS). Bacharelanda em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do projeto de Pesquisa e Extensão Presenças: práticas artísticas (+) visuais indígenas e negras do Brasil (CAp UFRJ). Pesquisadora do Extremos: grupo de estudos sobre política, violência e religião, e do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ) no Instituto de História da UFRJ, atualmente com a temática Educação e Religião em Escolas Municipais da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Graduanda em Ciências Sociais (bacharelado) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Integra o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ/UFRJ) e o Extremos. Desenvolve pesquisa nas áreas de sociologia urbana e segurança pública, sobre genocídio, memória e violência extrema.
Bacharelanda em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ) e pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ), no Instituto de História da UFRJ, e do Extremos - Grupo de Estudos sobre Política, Violência e Religião.
origem
niej e parcerias
Nosso instrumental teórico vem do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da UFRJ (NIEJ), que ao longo da última década construiu um referencial original para o estudo da ascensão das extremas-direitas. Partimos de dois processos históricos consolidados: o nazifascismo clássico na Europa das décadas de 1920 e 1930 e a radicalização da extrema-direita israelense desde os anos 1990. Neste segundo caso, identificamos um processo de erosão gradual dos freios institucionais, uso do medo como instrumento de governo, instrumentalização da memória histórica, confusão entre identidade coletiva e poder de Estado e normalização de violações de direitos em nome da sobrevivência. É desse referencial comparado que partimos para pensar as extremas-direitas, sobretudo a brasileira.
Também organizamos nossa produção acadêmica em rede internacional, por meio de seminários, colóquios e intercâmbios com universidades parceiras, entre elas a UFRJ, a USP, a Brown University, a University of Haifa e a Ben Gurion University. São essas parcerias que sustentam o primeiro eixo de nossa atuação, e esperamos que essa rede continue crescendo nos próximos anos.
